Último trago.

Que o amigo receba este como quem receberia uma maldição.

Último trago

Que líquido é esse

em teu copo ?

Não o tinto vinho

comum e proletário

de cálice e meio

dos jantares em família

seguido do sono dos justos.

Não o tinto sangue das ruas,

sempre jovem,

de luas e lutas,

derramado

por justas causas

ou causa nenhuma.

Não o douro velho,

extrato das cascas,

bagaceira áurica,

o conhaque noturno

e solitário

das reflexões maduras

e ensimesmadas,

que queimam a garganta,

mas reconfortam a alma

acalmada pelo tempo decorrido.

Não o dourado solar

loiro e urínico

da cerveja de riso aberto

e seguro por estar entre amigos.

Não.

É um caldo betuminoso.

Sem o violáceo da jabuticaba,

licor negro,

sumo das tuas causas próprias,

dos teus motivos e valores

que frio como a vingança

te é dado a beber.

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