Eremildo – o idiota, no Bacalhau do Batata.

Elio Gaspari não brinca Carnaval, aproveita o tríduo momesco para exercícios mediúnicos. Deixou sua coluna a cargo de Eremildo. O idiota, no entanto, abandonou o serviço e caiu na folia.

bacalau do batata

Dispensando-se do necessário tempo de introspecção da Quaresma, Gaspari, nesta quarta-feira de cinza, 18fev2015, em sua coluna da Folha de São Paulo, antecipa a Páscoa e malha seus Judas em ”O galinheiro de ovos Fabergé”.

Sob o pretexto de surrar Eike Batista, amarra no poste dois programas do governo federal. O programa para a indústria naval brasileira e o FIES, programa de financiamento estudantil para o ensino superior.

Gaspari é um americanófilo, em vários textos já louvou o ensino pago das universidades americanas, donde ter simpatia pelas formas onde o próprio estudante banca a sua formação. Com o FIES não é diferente. Porém, crítico abre-alas do governo federal, Gaspari critica até os acertos nas correções de rota que o governo fez nesse programa.

“O governo propôs duas mudanças singelas: só terão acesso ao Fies os jovens que tiverem conseguido 450 pontos no exame do Enem e as faculdades com bom desempenho”.

E por singelas entenda-se irrelevantes, de pouca importância. Ainda que tais medidas aperfeiçoem o programa distinguindo o mérito de estudante e instituições de ensino, não lhe agradam os juros subsidiados cobrados dos empréstimos estudantis.

“… os empréstimos passaram a ser tomados sem fiador, a juros de 3,4% ao ano… o comissariado petista estatizou o financiamento das universidades privadas”. 

E desconfia da honestidade dos alunos:“ … a evasão dos estudantes beneficiados pelo Fies cresceu 88%. Pergunta óbvia: um garoto que abandonou a faculdade vai devolver o empréstimo que tomou sem fiador?”.

Preferiria que os estudantes tomassem empréstimos a juros de mercado junto aos bancos privados, dando todas as garantias necessárias e que se graduassem carregando uma hipoteca que só resgatariam próximo da aposentadoria? A educação não como uma política de Estado mas como mais um produto, tão somente. É assim nos EEUU. E se é bom para os Estados Unidos, é bom para o Brasil – lema de vida de Gaspari e de boa parte da sua geração.

Mas o que incomoda mesmo a Gaspari é o polo nacional da indústria naval.

“Veja-se o caso do que se chama de polo da indústria naval. A ideia é banal. Assim como sucedeu com a indústria automobilística, o Brasil poderia produzir navios…[mas] ao contrário dos projetos similares do Japão, Coreia e Singapura, no Brasil não se respeitaram metas, prazos ou custos … jamais acreditará que, pelos tempos afora, se poderão produzir navios que custam mais caro que os do mercado internacional”.

A indústria automobilística nacional produz ou, pelo menos, vende automóveis produzidos no Brasil por um preço muito acima do internacional e Gaspari não quer se livrar dela. Mas parece-lhe um absurdo que o Brasil produza navios a um custo maior do que os que teria se simplesmente os importasse do Japão, Coreia ou Singapura. Gaspari não apresenta números, mas demos de barato que esteja certo.

O interessante é que Gaspari não considere que os navios produzidos Brasil são pagos em reais e os estrangeiros em dólar. Ou que os navios produzidos aqui gerem empregos aqui enquanto os produzidos no estrangeiro os geram nos países de origem dos navios. Que não considere que produzir conteúdo nacional, desenvolver tecnologia de ponta própria tem um custo. Mas que esse custo deve ser lançado na coluna de investimento e não na de despesas. E que o que o governo está fazendo tem um nome, chama-se política industrial. Não foi diferente, por certo, no Japão, Coreia ou Singapura.

Aceitaria se de Eremildo, mas não de Gaspari.

Ainda no campo dos estaleiros, Gaspari recorda de outros programas nacionais voltados para a indústria naval e que não deram certo. Vaticina, então, que o atual não dará também. Recorda que esses programas fracassados trouxeram grandes prejuízos aos cofres públicos. E cita um caso em especial onde levaram lucros a cofres privados:

“Primeiro veio o polo de Juscelino Kubitschek. Quebrou. Depois veio o da ditadura. Também quebrou. Com uma diferença: nele, os maganos transformaram seus papéis micados em moedas da privataria. Assim, um banqueiro que poderia ter quebrado investindo em estaleiros trocou o papelório pelo valor de face e comprou a Embraer. Agora está aí o polo do Lula, com suas petrorroubalheira”.

Que não se esperasse que Gaspari fosse deixar o “petrolão” de fora. É editoria da casa.

Lembremos, porém, que “privataria” – neologismo surgido da aglutinação das palavras privatização e pirataria, é da lavra do próprio Gaspari. Logo, ele deve saber do que fala. Mas o que chama atenção é que, para denunciar a roubalheira nos governos tucanos, o texto vá da ditadura a Lula sem citar o nome de Fernando Henrique Cardoso.

Eremildo é idiota, mas não é tolo. Sabe com quem pode e com quem não pode mexer.

Sim, porque um texto desses não é de Gaspari, é de Eremildo. Que deve tê-lo escrito alguns minutos antes de cair de cara no último bloco a sair no Carnaval – o “Bacalhau do Batata”.

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